Deputado Mauro Rubem aponta contradição de Caiado e alerta para riscos da privatização do saneamento

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Em defesa da manutenção do patrimônio público, o deputado também contestou o principal argumento do governo, de que a privatização seria necessária para acelerar a universalização da rede de esgoto

O deputado Mauro Rubem (PT-GO) se pronunciou durante sessão plenária na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás para reiterar seu posicionamento frontalmente contrário à possível privatização da Saneago. Em discurso de tom crítico, o parlamentar classificou a iniciativa do governo estadual como um retrocesso e alertou para os impactos sociais, econômicos e estruturais de retirar o saneamento básico do controle público.

Ao iniciar sua fala, Mauro Rubem direcionou críticas diretas ao governador Ronaldo Caiado, acusando-o de incoerência política. Segundo o deputado, Caiado mudou de postura ao longo do mandato. “Durante a campanha eleitoral dizia que ‘na Saneago ninguém toca’. Agora, é só ele que quer tocar — e para vender”, ironizou.

Para o parlamentar, a tentativa de implantar uma parceria público-privada (PPP) no saneamento goiano não se sustenta tecnicamente nem socialmente. Mauro Rubem argumenta que a atual gestão estadual promove mudanças no modelo de contratação e governança da empresa, priorizando, segundo ele, práticas que fragilizam o controle público e reduzem a transparência.

Em defesa da manutenção do patrimônio público, o deputado também contestou o principal argumento do governo, de que a privatização seria necessária para acelerar a universalização da rede de esgoto. Ele lembrou que a Saneago já atende cerca de 99% da população goiana com água tratada, está presente em 216 municípios e possui cobertura de esgoto em aproximadamente 75% das cidades — índices que, na avaliação do parlamentar, demonstram plena capacidade de atingir a universalização dentro do prazo legal, sem a necessidade de privatização.

Mauro Rubem comparou a situação atual ao processo de privatização da Celg, citando-a como exemplo negativo. “Era uma empresa pioneira e eficiente. Hoje, vemos um serviço precarizado e tarifas elevadas. A privatização foi um excelente negócio para quem comprou, mas um péssimo negócio para o povo goiano”, afirmou. Para ele, o mesmo roteiro está sendo ensaiado com a Saneago.

O deputado alertou ainda que a companhia é superavitária e cumpre um papel social estratégico por meio do chamado subsídio cruzado, mecanismo que permite que o lucro obtido em grandes cidades financie o atendimento em pequenos municípios e comunidades com menos recursos. “Uma empresa privada, orientada pelo lucro, manteria esse compromisso social? Evidentemente, não”, questionou.

Em tom mais duro, Mauro Rubem classificou a tentativa de privatização como a venda de “uma empresa lucrativa, com trabalhadores qualificados”, e denunciou o que chamou de alinhamento ideológico do governo estadual a políticas de direita que, segundo ele, buscam transferir o patrimônio público para interesses privados.

Ao final do pronunciamento, o parlamentar declarou apoio à frente suprapartidária em defesa da Saneago, liderada por sindicatos e entidades da sociedade civil, e fez um apelo à população. “Estamos tratando de um direito humano fundamental: o acesso à água. Não se trata de ideologia, mas de justiça social, de desenvolvimento regional e de soberania sobre um serviço essencial”, afirmou.

Mauro Rubem também anunciou que pretende tornar público o posicionamento de parlamentares e lideranças políticas sobre o tema. “Vamos mostrar quem defende a Saneago pública, o direito à água a preço justo, e quem quer vender esse patrimônio do povo goiano”, concluiu.