Deputado Mauro Rubem cobra que MP apresente denúncia sobre chacina de Águas Lindas de Goiás

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Sete meses após as execuções, o Ministério Público de Goiás ainda não apresentou denúncia. Parlamentar cobra celeridade e critica impunidade policial

O deputado Mauro Rubem (PT-GO) protocolou documento à Promotoria de Justiça de Águas Lindas de Goiás cobrando que o Ministério Público Estadual ofereça denúncia no caso da chacina ocorrida em abril deste ano, quando três jovens — dois deles menores de idade — foram mortos em uma ação da Polícia Militar no município.

Segundo o deputado, a demora na conclusão do inquérito e a ausência de manifestação do MP levantam preocupação quanto à possibilidade de o caso cair no esquecimento. “É fundamental que a denúncia seja apresentada o quanto antes e que o caso siga para decisão do Judiciário. Não podemos tolerar que a polícia, que deveria proteger, seja a que julga, condena e executa”, afirmou Mauro Rubem.

O parlamentar, conhecido por sua defesa dos direitos humanos e da segurança pública cidadã, também reforçou a importância do uso de câmeras corporais nas fardas policiais. “As câmeras ajudam a proteger os bons policiais e a separar o joio do trigo. Em casos como o de Águas Lindas, poderiam ajudar a esclarecer a verdade. Não podemos aceitar o discurso de que ‘bandido bom é bandido morto’. Todo ser humano tem direito à vida, à defesa e à recuperação”, acrescentou.

Entenda o caso

Em abril de 2025, uma equipe da Polícia Militar invadiu um apartamento em Águas Lindas de Goiás e executou três jovens, entre eles dois menores de idade. Os policiais alegaram que foram recebidos a tiros, após denúncia de que o local funcionaria como ponto de tráfico. No entanto, moradores do condomínio relataram ter ouvido gritos de socorro e pedidos de clemência das vítimas, além de barulhos de pancadas, indicando possível tortura antes das mortes.

Após o confronto, os policiais colocaram os corpos dentro de uma viatura e os levaram a um hospital. Testemunhas e profissionais de saúde afirmam que os jovens já chegaram sem vida, o que foi registrado em prontuário médico, em contradição com os depoimentos dos militares, que disseram ter chegado com as vítimas ainda com vida.

Laudos periciais, segundo a defesa das famílias, não foram anexados ao inquérito, dificultando o esclarecimento dos fatos.

Um dos mortos, conhecido como “Bebê”, tinha antecedentes criminais, incluindo dois homicídios. Já os dois menores não possuíam passagens pela polícia. Para familiares e movimentos de direitos humanos, eles teriam sido executados apenas por estarem no local, uma possível queima de arquivo.

Atuação do deputado e apoio às famílias

Após ser procurado pelos familiares das vítimas, Mauro Rubem passou a acompanhar o caso. O parlamentar esteve em Águas Lindas, recebeu as famílias na Assembleia Legislativa e as encaminhou à Defensoria Pública de Goiás e ao Ministério Público Estadual, com apoio do grupo Mães pela Paz e da RENAP (Rede Nacional de Advogados Populares).

Em novembro de 2025, sete meses após o crime e um mês depois da conclusão do inquérito, a assessoria jurídica do deputado protocolou novo pedido à Promotoria de Águas Lindas para que o MP se manifeste e ofereça denúncia contra os responsáveis.

“As famílias clamam por justiça. O Estado não pode ser conivente com execuções praticadas por quem deveria zelar pela segurança da população. O que buscamos não são versões ou conveniências, e sim a verdade real,  que é o que dá sentido à Justiça e legitimidade às instituições. A verdade não enfraquece o Estado; ela o purifica. É o que separa a legalidade da arbitrariedade e mantém viva a confiança da sociedade nas suas instituições”, concluiu Mauro Rubem.