Mauro Rubem acompanha ocupação de mulheres do MST e cobra Reforma Agrária Popular em área da Usina CBB

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A mobilização integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra em defesa da Reforma Agrária Popular e contra as violências no campo, destacando o protagonismo das mulheres na luta pela terra, pela justiça social e por um modelo de produção comprometido com a vida e o meio ambiente

O deputado Mauro Rubem (PT-GO) esteve ao lado de cerca de 500 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) durante a ocupação da área falida de 8 mil hectares da Usina da Companhia Bioenergética Brasileira (CBB), no município de Vila Boa de Goiás (GO). A mobilização faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra e reúne trabalhadoras rurais de Goiás, Distrito Federal e Entorno, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, em defesa da Reforma Agrária Popular e contra as diversas formas de violência no campo.

A ação integra a jornada nacional realizada em todo o país com o lema “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar!”, que destaca o protagonismo das mulheres na luta pela terra, pela justiça social e por um modelo de produção comprometido com a vida e com o meio ambiente.

Durante a mobilização, Mauro Rubem ressaltou a importância histórica das mulheres na organização da luta popular e na construção de alternativas para o campo brasileiro. “As mulheres Sem Terra demonstram, mais uma vez, que a Reforma Agrária Popular é uma resposta concreta às desigualdades no campo. Elas organizam, produzem, cuidam da terra e defendem a vida. Essa luta é fundamental para garantir dignidade às famílias e fortalecer a soberania alimentar do nosso país”, afirmou o deputado.

As mulheres do MST denunciam a demora do poder público em efetivar a desapropriação da área da usina, que foi oferecida ao patrimônio da União para quitar dívidas milionárias e poderia ser incorporada ao Programa Nacional de Reforma Agrária, atendendo famílias que aguardam acesso à terra na região.

A área da usina compreende cerca de 8 mil hectares e reúne dois principais complexos agrícolas — as fazendas Tábua de Cima e Prelúdio — além de outras propriedades que estão em processo de adjudicação, ou seja, sendo transferidas ao patrimônio da União como forma de pagamento de dívidas com o Estado.

Informações públicas indicam que a Companhia Bioenergética Brasileira acumula mais de R$ 300 milhões em dívidas, entre débitos tributários, trabalhistas, multas ambientais e embargos. A área da fazenda está avaliada em aproximadamente R$ 200 milhões, valor insuficiente para quitar todo o passivo da empresa.

Além das dívidas financeiras, há denúncias de graves violações trabalhistas. Trabalhadores da usina relataram receber diárias de apenas R$ 27, o que, segundo as denúncias, caracteriza exploração extrema e condições degradantes de trabalho.

Em setembro de 2025, uma operação do Ministério Público do Trabalho em Goiás resgatou 108 trabalhadores em condições análogas à escravidão no corte de cana-de-açúcar. Os trabalhadores eram submetidos a jornadas exaustivas, alojamentos precários, ausência de registro em carteira, além da falta de banheiros e equipamentos de proteção. A empresa foi condenada a pagar mais de R$ 1,5 milhão em verbas rescisórias e indenizações por danos morais individuais.

Dados do Ministério do Meio Ambiente também apontam que cerca de 4 mil hectares da área da usina estão embargados por crimes ambientais, relacionados ao desmatamento irregular de áreas sensíveis de reserva, resultando em multas superiores a R$ 3,2 milhões.

Para Mauro Rubem, o conjunto de irregularidades reforça a necessidade de que a área seja destinada à Reforma Agrária. “Não é aceitável que terras marcadas por crimes ambientais, exploração do trabalho e dívidas com o Estado permaneçam sem cumprir sua função social. Defender a Reforma Agrária Popular é garantir que essas terras sejam destinadas às famílias que querem produzir alimentos saudáveis e viver com dignidade”, destacou.

Outra denúncia apresentada pelas trabalhadoras aponta que, dentro da sede da usina, há um stand de tiros instalado de forma irregular, sem licenciamento adequado, o que, segundo relatos, poderia ser utilizado para intimidar trabalhadores e dificultar ações de fiscalização do Estado.

O deputado também reafirmou seu apoio à mobilização das mulheres do MST e à luta pela democratização da terra no país. “A luta das mulheres Sem Terra é uma luta pela vida, pela terra e pela justiça social. Seguiremos apoiando essa mobilização e cobrando políticas públicas que garantam direitos, fortalecendo a agricultura familiar e assegurando que a terra cumpra sua função social”, concluiu Mauro Rubem.